segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Quinta-feira. 3 de outubro de 2013. 00:22 
- Não quero ir pra casa, ta cedo. 
- Anda logo porra! — Aprecei Samanta 
- Calma Júlia. Calma. — Puxei o copo da mão dela virando de uma vez. - Amiga! — Berrou.
- Me leva logo pra casa. Preciso dormir, amanhã tenho trabalho cedo.
 Pegamos a chave do carro dela no guarda-coisas do bar e fomos pro estacionamento.  
 Ela girou a chave, ligando seu picasso prata. Chegamos. Desci do carro dando um beijo na bochecha dela e entrei em casa. 
Lembrei de arrumar todos os documentos, já que amanhã haveria uma reunião mais que importante na revista. Lembrei também de deixar uma mensagem pra minha mãe, ser filha única de mãe solteira não era fácil. Ainda bem que minha mãe tinha arrumado um namorado, não aguentava mais ela no meu pé o tempo inteiro. Deixei os documentos na mesa da cozinha e cambaleie até o banheiro, tomei um banho demorado e me joguei na cama de toalha mesmo. 
Sexta-feira, 4 de outubro de 2013
 A brisa gelada que entrava pela janela me acordou, dez minutos atrasada, tentei me situar. Coloquei uma roupa qualquer, simples, e passei uma base no rosto. As olheiras enormes e a cara de sono me deixavam com um ar de ressaca, nada bom. Coloquei meus óculos de aviador, peguei o material e fui pra garagem. O carro demorou pra ligar, já que faziam dias que não saia da garagem.
Cheguei no prédio tentando não aparentar desesperada.
- Bom dia senhorita Júlia, estão todos em reunião na sala.
- Bom dia Carmem, obrigada. Já vou subir.
Pequei um copo de café e entrei na sala tentando equilibrar o copo e os papeis.
- Atrasada! — Maldito Evans. Meu chefe, grosso, ignorante, sexy e, estupido. 
- Sei disso, perdi o orário, mas estou aqui agora, certo? Bom dia pra vocês.
- Bom dia Jú. — Sorri agradecendo ao Robert. O resto continuava com cara de sono e tédio.
- Vamos aos papeis, eu deixei claro que sou designer disso aqui, não fotografa, portanto favor parar com as trocas de papeis.
- Me desculpe Ju, mas me deram isso, só repassei.  
- Tudo bem Mary. — Sorri pra ela e tirei os óculos.
 A reunião acabou na hora do almoço. Peguei os documentos atrapalhada enquanto tentava jogar o copo vazio no lixo, Robert me ajudou, juntando tudo e colocando em pilha pra mim. Robert era muito simpático, e ao contrário de Evans  não usava o poder de chefe pra humilhar ou abusar de nenhum funcionário. Não comigo, pelo menos. Ele era o segundo maior acionista, logo chefe de uma parte dos setores da empresa, não de tantos quanto Evans
- E aí Ju? Vai almoçar aonde? 
- Na verdade não vou almoçar, tenho muito trabalho a fazer. 
- Eu vou almoçar com você hoje.
- Desculpe Robert, mas não posso mesmo, preciso terminar tudo isso hoje.
- Vamos, eu alivio pra você, você sabe, com o Evans.
- Não precisa mesmo. — Suspirei 
- Está me dispensando? — Ah não, aquele olhar de cachorro molhado, eu não resisto. Robert e seu topete castanho claro, mesclado com preto bem escuro, seus olhos mel e seu queixo afinado, onde nascia uma barbinha mal feita. Seu sorriso era encantador.
- Podemos pedir Bobs aqui mesmo?
- Agora ! — Ele riu e passou a mão no topete, maldito topete que o tornava ainda mais lindo. 
 Não demorou pra comida chegar, ele entrou na minha sala novamente segurando agora, dois pacotes de comida. Abriu e colocou a comida sobre minha mesa. Almoçamos calados, e de vez em sempre ele ficava me encarando. 
- Terminei, chefe. — Ele riu.
- Então, já sabe da festa amanhã?
- Não, que festa? — Encarei seu par de olhos castanhos e brilhantes.
- Da promoção da empresa, acho que falamos disso no começo da reunião, mister atrasada — rimos
- Me desculpe, eu perdi a hora. 
- Tudo bem meu amor. - Soou doce, quase agarrei ele ali mesmo. — Então, festa a fantasia, sete da noite no salão de festas daqui mesmo.
- Ah, sim. Estarei lá. Do que vai se fantasiar?
- Não vou falar, senão estraga a brincadeira. — Em um impulso ele levantou catando o lixo e repondo no saco, me deu um beijo no canto da boca e saiu da sala. Passei bons minutos pensado nele.
- Starkey! — Olhei assustada pra porta, Evans e sua mania irritante de me chamar.
- Sim. 
- Quero tudo pronto em duas horas.
- Não sei se vai dar, é muita coisa.
- Não quero saber, adiante. 
 Estupido. E o que Robert tinha de agradável ele tinha de chato. Maldito. Não posso negar o quão sexy ele era. Mas sua estupidez me fazia sentir repulsa. 
Por sorte terminei tudo e coloquei nos envelopes, separados. Assinei uns documentos e sair pra marcar o ponto, marquei e fui até a sala do Evans. Deixei tudo em sua mesa, ele nem se deu o trabalho de agradecer ou olhar pra mim. Bufei e sai da sala dele. 
Sábado, 5 de outubro de 2013.
  Levantei exausta, passei a noite vendo séries. Lavei o rosto e me dei conta da hora.
-  QUATRO HORAS! — berrei sozinha. Três horas pra me arrumar. E não fazia ideia de qual fantasia usaria. Vampira era a solução. Montei uma prótese de caninos improvisada, tirei do fundo do guarda-roupa um vestido longo e roxo. Separei um salto vermelho e a maquiagem. Entrei pruma ducha demorada, e sai na conta do tempo de me arrumar. Coloquei uma lingerie preta, de renda. Vesti o vestido e fiz minha maquiagem. 
Liguei o carro com dificuldade, dirigir de salto era muito ruim. Fiquei esperando Mary, a única pessoa com quem realmente me dava bem na empresa, e na cidade. 
- Vampira! 
- Olá Branca de Neve.
- Foi o que de pra fazer. - Rimos.
- Vamos beber alguma coisa. — Puxei ela pra dentro, pegando dois copos de vodka. A luz meio que caiu, de maioria das pessoas estavam irreconhecíveis. E só consegui identificar quatro. Mary, Joana da impressão, o Carlinhos porteiro e o Léo da portaria. Logo um Super Man levou Mary pra dançar, me deixando sozinha no sofá. 
- Quer dançar também, ou não está no clima? 
- Eu sempre estou. — Brinquei com o Coringa em minha frente
- Vamos? — Não podia identificar quem era por trás da maquiagem, muito bem feita. Tinha o batom borrado como no último filme do Batman, em que o Ledger interpretou. Fitei-o séria. - Why so serious? — Ele me puxou pela mão chocando nossos corpos e gargalhou no meu ouvido.
 A música começou lenta, totalmente desconhecida por mim. Ele grudou nossos corpos novamente, e o tecido gelado de sua roupa me causava arrepios. 
- Júlia, você é muito atraente. 
- Como sabe quem eu sou?
- Eu te reconheceria até por baixo de toneladas de pano. 
- Quem é você? 
- The Joker. - Ele colocou as duas mãos na minha cintura, fixei meus olhos em sua íris escura. - Eu gosto seu cheiro, é doce. Parece morango com flocos. Sua boca é tão carnuda, parece gostosa. — Nossas testas agora grudadas, e o seu ar gelado e refrescante batia em meus lábios entreabertos, quase chegando até meu pulmão. 
- Você já provou morango com flocos? — Provoquei. Ele inclinou o rosto e mordiscou meu lábio inferior. 
- Parece gostosa mesmo. - Tentei contestar, mas me contive. Respirei fundo e ataquei seus lábios com força, bagunçando todos os fios de seu cabelo. Ele riu entre o beijo, retribuindo com mesma intensidade e apertando levemente minha cintura. 
De repente não era mais o suficiente, eu queria tê-lo em mim, e queria agora. Quebrei o beijo e pedi:
- Banheiro.
- Leu meus pensamentos, banheiro da área de serviço, tá vazio agora. 
Abrimos a porta dos fundos ainda sem parar o beijo, a luz estava queimada. Ele me carregou pela cintura, prendi minhas pernas ao redor de seu corpo, em um ato desesperado tirei sua capa e roupa, tendo acesso livre ao seu peitoral másculo, arranhei suas costas. Ele desceu os beijos até meus seios, agora já descobertos e livres. Não perdeu muito tempo ali, e desceu um pouco mais, tirando o pano fino da minha calcinha, puxei seu rosto pra mim novamente, suguei seus lábios com vontade, e senti seus dedos já dentro de mim, em movimentos rápidos, gozei e ele lambeu os dedos. Tirou do bolso uma camisinha, partiu o beijo pra rasgar o saco, e me deu pra vestir em seu pau, e que pau. Grande era apelido. Aproveitei pra dar uma leve masturbada ali, ele gemeu rouco no meu ouvido, e me penetrou forte. 
- Vou gozar! — Avisei, ele adiantou as coisas, me estocando mais rápido. Chegamos ao gozo juntos, ele saiu de mim com cuidado, tomando meus lábios com carinho. Riu fraco e se vestiu, me ajudando, com a pouca luz da lua.
- Quem é você?
- Eu estou sempre perto de você, é uma dica.
-  Me diz quem é, sério.
-  Why so serious? — Ri de seu sotaque. Ele apertou sua gola e saiu em passos longos e desajeitados, como os do Coringa. Fui pro banheiro da festa, lavando meu rosto e os borros da maquiagem dele, agora junto com a minha.
Deixei um sms pra Mary e fui pra casa tentar imaginar que era. Tomei um banho de banheira deitei pra ler. Minha cabeça não estava ali. Meu celular acendeu, “why so serious? Aproposito, morango com flocos é uma delicia”. Meu coração pulou, tentei ver o número, mas estava restrito. 
- Droga. — Murmurei. Tentei fazer com que o fim de semana durasse menos. 
**
Segunda, 7/08/13
Passei o domingo vendo filmes e resenhando no blog.
Arrumei os papeis, pela primeira vez em tempos, cheguei cedo no trabalho. 
Passei rápido por todo mundo da portaria, dando um bom dia quase que nada. Joguei os papeis sobre a mesa e ouvi Winson, ou Evans, ou Demônio abrir a porta, trazia uma pilha de papeis, grande, bem grande. 
- Bom dia Júlia. - Espera, “bom dia”? Me chamou pelo primeiro nome e não berrou.
- Bom dia. - Orei à todos os santos mentalmente que não tenha saído tremido.
- Analisei seu trabalho, muito bom. Quero sua hora extra por toda essa semana. - Demorou
- O que? Essa semana?
- Sim, espero que não faça meu elogio lixo.
- Pode deixar, chefe. - Ele deixou os papeis na minha mesa, saindo sem olhar pra trás.
- Demônio! — Resmunguei. Avaliando os papeis e começando o trabalho. Vi Mary entrar na minha sala.
- Como foi a festa? — Perguntou fechando a porta atrás dela
- Digamos que o Coringa é o meu vilão favorito. 
- Por isso sumiu, safada! — Berrou - Quem foi?
- Eu não sei, não sei mesmo
- Transou com um Coringa desconhecido? Que exitante 
- Haha, muito engraçado! Eu preciso saber quem é, ele disse que sempre está perto de mim. 
- Robert? — Olhamos pelo vidro da sala, onde Robert e seu topete encantador me acenava.
- Acho que não.
- Acho que sim. Não foi ele quem te falou da festa? 
- Foi… Pode até ser.
- Ou não. Sabe quem eu ouvi dizendo que ia de Coringa? O Dani, lá do setor de cima. 
- Ai meu Deus!
- Qual é? Ele é gato.
- Mas é o Dani, ele parece meio… Gay.
- Verdade. Esse Coringa tinha pegada mesmo, né?
- Sim. — Pisquei demorado e lembrei da maquiagem borrada. - Mary, ele tinha uma mecha de cabelo estilo Kurt Cobain, porém preta. Puxando pra Johnny Depp.
- O Evans é bem parecido com o Johnny, será?
- Impossível, ele me odeia. Se bem que hoje, ele veio todo calmo me dar bom dia, me chamou até pelo primeiro nome, mas depois me acarretou com essa porra - espalhei os papeis pela mesa, fazendo Mary gargalhar.
- Vou te ajudar. Vou perguntar quem foi de Coringa, espero que respondam.
- Eu acho que não, mas eu espero que ele apareça de novo — ri boba e ela levantou pra sair da sala. 
 Trabalhei por todo o dia, achei que já não tinha mais ninguém no prédio. Arrumei minhas coisas pra sair quando vi uma luz acender no fim do corredor. 
- Ainda aí Ju? — A voz de Robert me tranquilizou, e ao mesmo tempo acelerou meu coração.
- Seu amigo me acarretou. — Ele riu chegando mais perto.
- Quer que eu te leve pra casa?
- Não precisa, o táxi tá me esperando. —  Ele riu sapeca, e que sorriso. Puxou minha mão e pagou a única luz restante. Descemos de mãos dadas pelo elevador, ele fazia carinho em mim com seu polegar. O elevador abriu ele me puxou pra fora, me dando um beijo desentupidor de pia, retribui, mas logo senti minhas bochechas queimar quando vi o olhar mortal de Evans sobre nós. Partimos o beijo.
- Não é permitido aqui! — Disse estupido, como sempre. Eu estava completamente vermelha.
Evans, relaxa cara. — Ele bufou com o comentário de Robert, que saiu andando e me deixou ali, sozinha enfrente ao Demônio.
- E você? Porque não já foi pra casa?
- Eu estava indo. — Ele riu pra mim, primeira vez que vejo a fera rindo. Mas logo tomou seu ar sério. 
- Eu posso te levar?
- Na verdade chamei o táxi. Pera, como é? Você o que?
- Só quero provar que não há nada de errado entre nós. Uma boa relação de trabalho faz bem. — Ele riu de novo, e eu não sabia explicar a sensação de ver seu sorriso. 
- Então vamos. — Soltei quase inaudível  
- Vamos. — Ele foi na frente, não deixei de perceber em seus ombros másculos, e sua pele morena clara. Seu cabelo liso escorrido, ainda mais escuro por causa da noite.
 Ele dirigiu calado. Guei-o até minha casa, onde ele parou em frente.
- Amanhã eu te trago de novo, a hora extra não cobre táxi.
- Obrigada.
- Disponha. — Ele riu outra vez, senti meu estomago borbulhar, ri de volta e esperei ele destravar a porta. 
- Tchau. Boa noite. — Ele se inclinou e deu um beijo molhado na minha bochecha. 
 Desci do carro e esperei ele fazer a volta no fim da rua, ele abriu o vidro e fez sinal pra que eu me aproximasse um pouco.  
- Why so serious? — Dessa vez gargalhou. Como o Coringa, e acelerou. 
 A verdade é que: Fiquei sem pernas pra entrar em casa. Meu ar já não fluía fácil.
Com dificuldade, caminhei até minha porta, tentando encaixar a chave, depois de várias tentativas falhas consegui. Esfreguei minhas mãos já umedecidas pelo suor frio, no rosto, e tentei colocar tudo no lugar.
Eu transei com meu chefe. Meu chefe estupido, idiota, doentio e gostoso. Bom, eu não podia negar. Na verdade, eu não negava que ele era gostoso, lindo e agora, eu já poderia encaixar seu sorriso entre estes adjetivos. Mas eu estava confusa, mais com relação aos meus sentimentos que com o fato da transa, já que não foi ruim pra mim, e sei que pra ele também não. Não que eu esteja me achando especial, eu sei que provavelmente, fui a primeira que ele achou disponível pra trepar. Eu tinha total consciência disso. Mas, pelo fato do que eu sentia quando eu estava perto do Robert. Eu precisa colocar no lugar. Atração, carinho, amizade e tesão. Mas eu não sabia diferenciar nada naquele momento. 
Tomei um banho demorado e fui tentar dormi.
 **
Terça, 8/8/13
 Arrumei os papeis e saí atrasada. Não achei a chave do carro, então chamei o táxi. Que por sorte, não demorou. 
- Bom dia Ju. - Recebi o carinho matinal do Robert, sorri involuntária e continuei meu caminho. 
 Minha sala, infelizmente, se encontrava à frente do escritório de Evans, que hoje estava aparentemente acarretado de trabalho. Organizei tudo na minha mesa e comecei a trabalhar no próximo projeto. 
- Ju, trabalha até que horas hoje?
- Não sei Mary, provavelmente até tarde. Tenho que entregar esse projeto logo. 
- Ah, então fica pra uma próxima. — Ela riu e saiu da minha sala. 

Olhei para a sala do Evans, ele me olhava de canto, e ria bobo. Quase virei uma colher com manteiga no fogo.
Depois ele saiu, certamente para alguma reunião, e eu continuei o trabalho. 
Todo mundo já deveria ter saído, não havia sequer uma luz acesa ali. Coloquei meus fones e sai cantarolando, ac/dc. Antes de entrar no elevador senti uma mão pesada me puxar pra trás, meus fones caíram e minha boca foi tapada por a outra mão, tentei me desfazer, sem sucesso.
- Calma. — Acho que eu conhecia aquela voz, mas existia certo pânico ali, minha respiração estava pesada.

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