quinta-feira, 15 de agosto de 2013

UNINVITED [Fanfic]

UM.
Acordei com o barulho do meu despertador, a voz do Julian berrando na música dos Strokes, sorri e me levantei desligando e jogando o mesmo na cama. Sentei e passei a mão no rosto, era cedo, muito cedo. Ainda serrando os olhos procurei pelas pantufas, calcei e levantei. Havia recebido de minha mãe uma ligação estérica, dizendo que eu não poderia de jeito algum faltar ao encontro da família, não de novo. Então eu não podia fazer muita coisa, a não ser que quisesse ouvir a mesma ladainha por mais um ano. Arrumei minha bolsa, mala, a roupa que ia usar. Coloquei uma fatia de pizza no microondas e fiz torradas com creme, comi e fui fazer minha higiene matinal. Peguei tudo de forma nada organizada, quase que derrubando as coisas da mochila e fechei o ecler. Desci de elevador e por sorte, não encontrei gente conhecida pra cumprimentar, meu humor pela manhã não é dos melhores, coloquei meu óculos de aviador e soltei meu cabelo. Fui direto pra garagem, entrei no carro e ouvi meu telefone tocar.
- Bom dia filha, você vem né? 
- Já estou indo, mãe.
- Vai dirigir até aqui?
- Sim.  Respondi desatenta enquanto procurava as chaves do carro na mochila. 
- Mas é longe. 
- Mãe, eu já dirigi de Nova Iorque à Washington. Depois te ligo, tchau. — Fui grossa e rodei a chave do carro fazendo o mesmo ligar, então fui até o posto, enchi o tanque e continuei a viagem. Liguei o rádio.
”Old Yellow Bricks, love’s a risk, quite the little escapologist” 
A voz do Alex Turner invadiu meus tímpanos, cantei junto enquanto acendia um cigarro, o transito estava lento.
Em três horas cheguei a minha velha casa em Liverpool. Tudo estava diferente, tem muito tempo que fui morar sozinha em Londres, logo quando terminei a faculdade.
DOIS.
 Entrei pelo largo portão aberto e recebi um abraço da minha mãe, eu cheguei cedo, pelo menos comparando aos meus atrasos desde que fui morar sozinha. Falei com todo mundo, e meu pai me pediu que visse o que ele tinha feito com o meu quarto. Eu abri a porta do meu antigo quarto e vi todas as obras que meu pai fez, e algumas que fez comigo, li as coisas que ele escreveu sobre e eu me senti vigiada, não foi difícil achar quem tanto me olhava, virei e lá estava a praga. 
- Quanto tempo.
- E eu desejei muito mais que isso.  Cuspia as palavras com o meu pior tom de voz e vi o sorriso dele se desfazer em minha frente. 
- Annie, eu não… 
- Eu não quero ouvir nada. - Me retirei do quarto, ele não veio atrás de mim, como sempre fez. 
 Desci e conversei com algumas de minhas primas, até a hora do jantar. 
- Mãe, eu vou prum hotel, pra sobrar espaço pro pessoal, eu estou meio cansada. 
- Tudo bem filha, espero que tenha trazido coisas pra passar pelo menos três dias. 
- Vou ficar por uma semana, vou passear por aqui. - Respondi e sorri amarelo.
- Maravilha. Vou arrumar as coisas para seus primos que vão ficar. 
- Espera, eu acho que o Pierre pode ir com você, assim vocês não passam o tempo que vão ficar aqui, sozinhos. - Maldita tia Sanderson.
- É filha, é só essa noite, amanhã vocês já podem vir dormir aqui.
- Tudo bem. - Se pronunciou Pierre - Acho mesmo que precisamos conversar. - Sorri irônica e me despedi de todo mundo. 
- No meu carro! - Ordenei. 
- Sim, chefe! 
- Pra onde vai? 
- Como assim? Vou pro seu hotel. 
- Acha mesmo? - Ri alto
- Olha, eu não tenho grana aqui pra pagar outro lugar. 
- Eu pago.
- Não quero seu dinheiro, vamos logo. É só uma noite. - Liguei o carro e dirigi em direção ao hotel.
- Boa noite senhores. 
- Boa, por favor, duas suítes de solteiro.
- Desculpe senhora, mas só temos uma suíte de casal.
- Não, não estamos juntos, eu preciso de duas suítes de solteiro.
- Senhora, é inverno, as pessoas visitam muito Liverpool essa época do ano, só temos uma, e acho que não vai encontrar hotel com mais que isso por aqui. 
- Tudo bem, quero dois dias nela. - Tirei o dinheiro mas ele saiu na frente e fez questão de pagar, quase enfiei a mão na cara dele por ter mentido sobre não ter dinheiro. Mas deixei pra lá. 
 Subimos em silêncio, ele estava ouvindo, aparentemente megadeth no iphone dele. Abri a porta do quarto, número 403. Deixei minhas coisas no chão, perto da cama, abri a mochila e peguei um moletom quentinho, entrei no banheiro pra tomar um banho.
TRÊS.
 Deixei o chuveiro no quente e entrei no banho, demorei pouco mais que meia hora relaxando, até que o frio passou a incomodar minha pele. Me vesti e fui deitar. 
- Já vai dormir? 
- Não. - Respondi ríspida. 
- O que tá acontecendo? Tudo aquilo já faz tanto tempo, eu era uma criança, não me culpe mais por aquilo, todo esse tempo sem você já me fez sofrer o suficiente. Eu senti mesmo sua falta, muito. 
 Eu não respondi, levantei, abri o frigobar e peguei uma garrafa pequena de vinho, abri e bebi inteira em três goles. 
- Eu não me importo mais com nada daquilo. Eu cresci também, você foi um relance, o primeiro de muitos que já tive e terei. Não quero lembrar de nada, estou bem agora, e pretendo continuar assim.
- Não sabe o quanto isso me machuca, Annie.
- E não quero saber. - Abri a lata de lixo e joguei a garrafa vazia. 
- Annie!  Ele pegou no meu braço me forçando olhar em seus olhos, o castanho escuro penetrou quase que em minha alma, me fazendo arrepiar. - Eu sei que você ainda está ai, não pode ter mudado tanto. 
 Me soltei e voltei a deitar, ele entrou no banheiro e eu liguei a tv. Peguei meu celular e respondi as mensagens que recebi durante o dia.
QUATRO.
Eu odeio o fato de ainda ter me sentido balançada por ele, afinal sete anos não são sete meses. Puxei o ar fundo e soltei, ele saiu do banheiro e parou em minha frente, apenas de boxer preta, tomando minha atenção.
- Meditando?
- Felizmente, não te devo explicações.  Fui rápida. 
- Eu sei, só não gosto desse clima. 
- Eu não quero saber. Eu só estou aqui pela minha mãe, eu não queria ter visto você, muito menos dividir um quarto com você, menos ainda a cama. Então, colabore. 
 Ele foi pro outro lado da cama e o celular dele tocou, era a voz de um homem no outro lado da linha, ele parecia falar sobre trabalho. Deixei de prestar atenção quando começou meu programa preferido na tv. Peguei uns docinhos no frigobar e voltei pra cama. Comi e comentei o programa no twitter. Ele levantou, ainda, apenas com a maldita boxer, eu passei a odiar essas cuecas que tem o poder de deixar homens gostosos mais gostosos ainda. Tomou minha atenção por milésimos de segundos, mas logo voltei a prestar atenção no programa.
Na madrugada mudou o clima do lugar, estava ainda mais frio. Levantei e fechei as janelas, liguei o aquecedor e voltei a deitar, dessa vez me cobri e vire pra parede, ele deitou do meu lado, puxando parte do edredom preto e cinza, pra ele também. Me ajeitei mais um pouco e coloquei meus fones de ouvido, stairway to heaven, do Led Zeppelin me acalma antes de dormir. De repente olhar pro amarelo irritante da parede me deixou entediada, o que me fez virar para a assombração. Eu diria uma bela, assombração. Espantei meus pensamentos e fixei-os na musica. Fechei os olhos e senti que ele estava me olhando, seus olhos me fitavam, cada pedaço do meu rosto, encarei-o, e novamente me perdi nos malditos olhos da coisa. Ele esticou a mão e pegou a minha, relutei pra me soltar, mas ele segurou firme, bufei e em um ato grosseiro me desfiz dele virando novamente pro lado contrario. 
CINCO.
Acordei naquela manhã de sábado, os braços de Pierre envolvidos em meu corpo. Me desfiz dele sem o menor cuidado, fazendo-o levantar assustado. Fui ao banheiro e fiz minha higiene matinal. E ouvi meu celular tocar, corri de calcinha e blusão pra atender, roubando a atenção do Pierre.
- Oi. 
- Oi, bom dia filha, sou eu.  Ela tinha um timbre preocupado na voz.
- Oi mãe, o que houve? 
- Acho melhor vir pra cá. 
- Conta logo o que foi, sabe que odeio lenga-lenga.
- Seu pai, seu pai teve um derrame. - Então o timbre de preocupação foi ocupado por um timbre de choro.Uma sensação terrível passou por meu corpo, quase que caindo, me escorei na cama e sentei.
- Fica calma mãe, já eu chego ai. Passa o endereço do hospital. 
- Estamos no posto perto daqui de casa. Esperando ele ser transferido.
- Oh, sim, eu já chego ai.
 Pierre estava em minha frente, perguntando o que houve, não conseguia falar, então terminei de me vesti e peguei as chaves do carro. 
- Eu vou com você. E eu dirijo.  Nem consegui discordar, joguei a mochila no banco de trás e deixei o resto das coisas no hotel. Ele também não pegou muita coisa.  No caminho ele ligou pra mae dele, perguntou o que houve, ela explicou e disse onde estava. 
Desci do carro e entrei no hospital, estava assim porque a saúde de meu pai vem sendo frágil. Ele não pode sofrer muita coisa. 
- Mãe! Onde colocaram ele? 
- Na sala de cirurgia, mas ele vai ser transferido. 
- Pra onde?
- Eu não sei, querida. - Ela novamente voltou a chorar, dessa vez sendo consolada pela mãe de Pierre. 
O que me deixou ainda mais aflita, porque ela é pessoa mais calma que já conheci. E posso dizer que conheci muita gente. Sai do hospital pra comprar cigarros, Pierre foi atrás de mim.
- Calma! - Ele disse enquanto eu tremia em tentativas falhas de acender o cigarro, segurou minha mão, auxiliando na minha coordenação motora. Acendi e traguei.
- Calma certamente, não é o que vou conseguir ter agora.
- Eu sei, mas… “oh, it makes me wonder, oh, it makes me wonder“. - Cantarolou Led. 
- “And it’s whispered that soon, if we all call the tune, then the piper will lead us to reason.“ - Completei sem nenhuma firmeza na voz, ele sentou ao meu lado no banco, passando o braço por trás dos meus ombros, e forçando delicadamente a queda da minha cabeça no ombro dele. Relutei, mas era do que eu precisava. 
SEIS.
O dia passou rápido, não pude ver meu pai por muito tempo, e ele foi transferido, fui junto, claro.
- Filha, não vai adiantar nada você perder a noite, eu também vou pra casa, amanha cedo a gente volta. Você precisa ficar forte, ele precisa de você, e eu também. - Abracei minha mãe e me despedi do pessoal. - Pierre, cuide dela pra mim. - Ele assentiu e voltamos pro hotel, na subida ele pagou mais algumas diárias e pediu comida francesa.
 Entrei no banheiro e tomei um desses banhos demorados. Me vesti e deitei pra assistir, Pierre tomou um banho longo também, mas não tanto quanto o meu.
- A comida chegou. - Avisei enquanto pegava da mão do entregador e levava a mesinha de centro do quarto. Joguei algumas almofadas no chão e sentei, ele saiu do banho com uma boxer, dessa vez, vermelha, e ainda mais atraente. Sentou e minha frente e começamos a comer. 
- Obrigada por hoje. - Agradeci pisoteando todo meu orgulho mentalmente.
- De nada. - Ele se pôs mais perto de mim pra beijar minha bochecha, seus lábios ali tao perto dos meus, tao convidativos e aquelas íris brilhantes me chamando total atenção, virei o rosto, onde ele depositou um beijo molhado e voltou a sentar. Liguei o meu celular e respondi tudo o que tinham me mandado, minha melhor amiga, Beth, havia me ligado, escrevi um sms gigante pra ela, explicando tudo e coloquei minhas musicas no aleatório. Coloquei meus fones e fechei os olhos apoiando a cabeça no lastro da cama. 
Algum tempo depois senti meu corpo ser carregado e colocado sob a cama, ele me cobriu e ajeitou os fones em mim. Deitou do meu lado e aparentemente dormiu. Alguma coisa em mim, novamente, se acendeu com relação a Pierre Sanderson. Me desfiz dos meus pensamentos e deixei o sono me levar.
SETE.
Acordei e ele estava em minha frente, já pronto pra sair. Levantei desajeitada, passei a mão no rosto e fui pro banheiro.
- Bom dia.
- Oi. - Odeio essa coisa de “bom dia“. Pensei. 
 Me arrumei rápido e descemos pelo elevador. Minha mãe havia ligado pra dizer que meu pai tinha estado bem melhor, acordou e ate moveu as mãos. Fiquei muito mais aliviada. Ele certamente, nao teria mais nada grave. Sai do elevador, ele foi na frente.
- Oi linda! 
- De onde te conheco? 
- Daqui e agora, mas adoraria que fosse em outro lugar também. - Ele me olhou de cima a baixo, mordi meu lábio inferior em sinal de aprovação. Mas minha mente não estava muito ali, acho que era o problema com o meu pai. Então dei pra trás, vendo um Pierre completamente irritado atras de mim.
- Vamos logo, Annie.
- Então, esse é o nome dessa linda, Annie. Depois nos falamos, Annie. - Ele repetiu meu nome em um tom sensual, eu diria que o cara era gato, muito gato. E entrou no elevador. 
- Quem é ele? 
- Eu não te devo satisfação. - Fui em direção ao carro e sentei no banco, ele iria dirigir de novo.
- O que você tem na cabeça? Caca? Mal começou o dia e você já de papinho com outro cara.
- Cala a boca e dirige. - Fui grossa enquanto retocava o batom vermelho que cobria a cor natural dos meus lábios. 
- Era o que faltava. - Eu ri irônica.
- Quer mesmo falar sobre isso? Tudo bem. Eu mudei, eu fico com muitos agora, sua especie virou meu brinquedinho preferido. O ultimo cara que fiquei, no fim de semana passado, tinha um pau grande, muito grande, foi a melhor fodida da minha vida. - Ele feriou o carro no meio fio, agradeci mentalmente por não vir nenhum carro atras.
- Eu não suporto a ideia de outro cara tocando em você.
- Tudo o que havia entre a gente, acabou. Agora só existe ar.
- Eu duvido. Duvido que tenha parado de pensar em mim. 
- Duvide, mas acho que nunca pensei em você em nenhuma das vezes que dava pra algum dos caras que fiquei. E… Bom, não conclua teorias sobre mim com base em você. Se você nunca me esqueceu, isso é um problema totalmente seu! - Disse sem em nenhuma palavra alterar meu tom sarcástico.
Ele voltou a dirigir dessa vez calado, seu rosto tinha um tom avermelhado, raiva. Ele estava com muita raiva.
OITO.
Visitei meu pai, que estava sedado, ainda. E fui pra casa ver como minha mãe estava. Pierre se manteve calado por todo o tempo.
- Filha, o que houve com o Pierre?
- Nada, acordou com o humor abalado, só isso. A senhora já se medicou? Tome cuidado com sua pressão. 
- Sim filha, eu já tomei os remédios. - Vi meu celular vibrar em meu bolso, era a Beth. Atendi e sai da sala. 
- Amiga.
- Oi. - respondi. 
- Como seu pai ficou?
- Agora, bem melhor. Vai ficar tudo bem logo.  
- Ainda bem, estou com saudades, que dia volta?
- Sexta-feira que vem, se meu pai sair do hospital.
- E como vai com o tal Pierre?
- Oh sim, normal, eu acho. - Ela riu abafado.
- Sei… Vou desligar, tenho que ir pro trabalho. Eu não tive sua sorte, minhas ferias só saem mês que vem. Beijo. - Desliguei e fui procurar Pierre pra voltar pro hotel, já que meus primos se aproveitaram da casa e da doença do meu pai.
- Pierre, vamos.
- Pode ir no seu carro, eu vou no meu. - Foi grosso.
- Nada disso, sou ativista dos direitos naturais, se vamos pro mesmo lugar não ha necessidade. Vamos logo. - Ele pegou a mochila e se despediu de todo mundo, entrou no meu carro e colocou a bagagem ao lado da minha, no banco. Sentei e dei partida. Subimos sem trocar muitas palavras. Tomei um banho longo e pedi pizza. Ele estava se arrumando pra alguma coisa, senti falta de ver sua boxer recheada em minha frente. 
- Pra onde vai?
- Eu não te devo satisfações, lembra? - dei de ombros. O celular dele tocou, e ele atendeu. - Eu já estou pronto, pode vir. Apertou a gravata e vestiu o paletó e abriu a porta. 
 No fundo eu fiquei curiosa, mas não aprofundei, coloquei num canal de filmes e assisti a metade de um e outro inteiro. Ele ainda não tinha chegado. Quando espantei meus pensamentos vi a porta abrindo, ele viu que eu estava acordada e não poupou os barulhos naturais. Estava arrumado, assim como tinha saído, o que me fez pensar que ele não esteve com nenhuma mulher, a não ser que a mesma seja portadora de toc. Ele estava um pouco suado. Afrouxou a gravata e jogou o paletó em qualquer lugar.
- Voltei! - Percebi que estava com um timbre cansado. 
- Percebi.
De repente ele se tornou uma figura muito mais do que sexy, anos luz depois disso, arfei e mordisquei o lábio inferior. Ele bagunçou o cabelo e chegou perto de mim. 
- Eu vi isso.
- Viu o que? Andou bebendo?
NOVE.
- Por favor, levante.
- Pra que? 
- Levante. - Levantei em uma expressão de tédio, até que seu suor misturado com seu perfume me embriagaram. 
- P.pronto. - Caralho, minha voz falhou. Soltei um pigarro, mas ele percebeu que foi falso. 
- Eu sabia, sabia! - sorriu de canto enquanto me encochava de frente em um ato rápido. Droga, os olhos, o olhar dele se misturou ao meu, e eu já não sabia dizer onde terminava eu e onde começava ele, minha respiração falhou e eu escondi meu rosto em seu ombro, um puro ato de derrota. Me afastei respirei fundo.
-  Vou dormir, acabou ficando tarde.
- Pare de mentir. - ele se desfez da parte de baixo da roupa, me deixando ver a boxer, dessa vez roxa. Droga, tenho queda por roxo. Engoli a seco. 
- Eu preciso dormir, to falando serio. - GLAM! O meu segundo maior erro da noite, “to falando serio“, de onde tirei isso? 
- Haha. - Ele me levantou, delicadamente pelo pulso, respirei fundo. A luz da tv, a unica luz existente no lugar, iluminava parte de seu rosto, ele grudou nossos corpos, afastei meu rosto do dele, ainda presa pela cintura. - Vamos jogar. Se você falar com firmeza que não quer, eu te solto. - Fiquei seria, tentando buscar um jeito de falar firme. E me veio a mente imagens de quando eu e ele tínhamos 15 anos, meu primeiro namorado, o meu primeiro amor. Mas ele feriu meu coração. Se agarrando com um putinha do bairro. Eu respirei fundo e falei.
- Eu não quero. - E saiu. Sorri vitoriosa me desfazendo dele, que agora tinha perdido a diversão de antes, demostrada em seu rosto.
- Desculpa. - Tomou um timbre desapontado na voz e foi pro banheiro.
DEZ.
Deitei e bom, eu estava molhada. Molhada pelo cara que levei sete anos pra esquecer. Mas era só fogo, tenho certeza. Dormir desse jeito era difícil, e depois de muito tempo, e muitas ideias, consegui.
Acordei envolvida pelos másculos bracos dele. Respirei fundo pra levantar, mas não consegui, eu travei. Simplesmente travei. Que porra estava havendo comigo? Era como se fosse vontade de ficar ali, então desfiz essas ideias e levantei. Sentei um pouco na cama e pensei melhor, pensei em todo tempo que perdi pra me acostumar a ficar sem ele. E acho, que não posso jogar tudo fora. Eu preciso voltar a Londres. Ele levantou junto. Aparentava triste. Me ajoelhei em seu lado, na cama, tomando a atenção dele pra mim. 
- Eu vou embora hoje. Preciso ir. - Soltei confusa. - E suponho que você também precise voltar a sua vida normal. Afinal as ferias estão no fim. - continuei. - Vou ver o meu pai hoje e a noite viajo de volta. 
- Tudo bem, me deixe na casa de sua mãe. - Foi seco, a frase mais pra baixo que saiu de sua boca, em minha frente.  
 Arrumei tudo e desci, esperei por ele no carro. Ele não demorou, então dei partida. Falei com tudo mundo, inclusive ele, e fui pro hospital. Meu pai me viu, chegou a me responder e sorri.
Então, fui embora de Liverpool, mais uma vez.
ONZE.
 Acendi um cigarro no carro, e demorei mais que o tempo que levei pra vir, devo ter passado três horas no carro. Liguei pra Beth, pra ela passar a madrugada comigo e quando cheguei ela já estava na porta do meu apartamento. 
- Demorou. - Soltou sem nem esperar eu chegar perto dela.
- Desculpa, eu achei que iria levar o mesmo tempo que levei pra ir, enfim.
- Que saudade! - Ela pulou em mim, me fazendo derrubar a mochila e a mala. Retribui o abraço, ela pegou a mala e eu me recompus. - Amiga, você não ta com cara de que voltou feliz, e ainda nem me explicou o motivo de ter voltado cedo. - Girei a chave na porta e entramos. Joguei as coisas por qualquer canto e fui direto pro banheiro. 
- Eu te conto depois. - Gritei de lá. - Faz alguma coisa pra gente comer. - completei.  
 Ouvi um barulho de fritura, terminei de me vesti e fui pra cozinha.
- Você tinha batata frita, fritei.
- Oba! - Fiz cara de criança feliz. Ela sentou ao meu lado com dois pratos cheios. 
- Então, qual foi o problema?
- Eu… Eu reencontrei Pierre. 
- Você já me falou dele, mas nunca contou o que ele fez.
- É. Foi um tempo atrás, tínhamos quinze anos e, ele me pediu em namoro. . Essa bobagem de primeiro amor. Eu gostei dele de verdade, e demorei todo esse tempo que sai de Liverpool, primeiro pro colégio interno e depois pra cá, pra esquecer ele, e quando ele estava em minha frente eu fraquejei. Eu não suporto traição, principalmente sem necessidade. Ele me traiu com uma menina do bairro, e eu tenho certeza de que ela não era melhor que eu. Eu era tão… Eu era menos isso aqui que sou hoje, pros homens, eu era doce. E pra ele muito mais, e eu amei aquele miserável. Desde aí, primeira e última vez que amei na vida.
- Annie. Não é assim, sabe… Ele não tinha desculpas pra te dar? Vocês eram tão novos. Ele devia ser ingênuo. 
- Sim, mas ele não veio atrás de mim. Ele nunca veio. 
- Homens, tão hipócritas.
DOZE.
Passei uma semana vivendo normal, ou pelo menos fingindo. Meu pai saiu o hospital, todos os dias eu falava com ele por skype e telefone. 
 Quinta-feira, chuva em Londres, arrumei todas as minhas coisas e fui pra editora. Rolling Stones, eu era colunista de lá. 
- Bom dia minha colunista preferida! - Recebi a simpatia do Marquinhos, designer de lá.
- Oi. - Sorri amigável e entrei na minha sala. 
Terminei de arrumar tudo o que precisava pra próxima entrevista, escrevi algumas colunas e a que sairia na edição da semana.
- Senhorita Barret, tem um senhor querendo te ver.
- Mande entrar, por favor. - Respondi enquanto mexia nos textos, sem da muita importância.
- Oi. - Aquela voz, o cheiro, o jeito de ocupar espaço, era ele. 
- Que caralho veio fazer aqui? 
- Matar saudades. Quero conversar com você. - Desfiz a aflição dando lugar a uma Annie mais calma.
- Então venha, vamos tomar um café. - Guiei ele até a sala de reunião, que estava vazia.
- Não acho que isso tenho sido uma coisa boa. - Ele disse enquanto tomava um pouco de seu café. 
- Isso o que? 
- Eu senti saudades de você. 
- Sinceramente… - Tomei o café da mão dele, colocando em cima da mesa ao lado do meu, empurrei ele até a mesa, onde o mesmo sentou assustado, me encaixei entre suas pernas e encarei seu rosto de perto. Seus lábios vermelhinhos, tão convidativos. Toquei o contorno de sua boca com a ponta do polegar, e depois rocei meus lábios ali, ele ficou estático, de olhos fechados, como se estivesse sonhado com aquilo por muito tempo, isso foi a gota d’água. Tomei seus lábios com força. Fazendo nossas línguas se encontrarem pra mais uma dança, depois de tanto tempo distantes. Beijamos até faltar ar em nossos pulmões, me afastei dele e passei a mão no cabelo.
- Annie. Eu senti tanta falta disso. - Ele me abraçou por trás. 
- Me solte, isso não quis dizer nada. Foi só pra calar a sua maldita boca.
TREZE.
- Vou fazer uns trabalhos aqui, posso ficar na sua casa essa semana?
- Claro que não. 
- Eu não vou nem falar com você. Por favor. - Bufei. Caminhei ate minha sala, ele foi atras. Peguei um papelzinho e anotei meu endereço. - Obrigado. - Ele me deu um selinho rápido antes de sair correndo pela porta. Eu já tinha terminado tudo ali, então fui fazer compras, tinha um tempo considerável que eu não fazia isso. Estacionei numa vaga aleatória e fui pra Saraiva. Comprei alguns cds, livros e filmes. Lanchei e fui pra casa. Cumprimentei o porteiro e entrei pelo estacionamento, subi de elevador e rodei a chave. Coloquei o cd do Nirvana, in utero, no som e fui tomar um banho. Tomei um banho longo, mas nem tanto. Me vesti e deitei no sofá. Tirei um cochilo e levantei com a campainha. Abri a porta e, infelizmente, era ele. 
- Oi. - Disse sem jeito. Dei espaço pra ele entrar, guiei-o em silencio ate o quarto de hospedes. - Obrigado. - Dispensei seu abraço e sai do lugar. 
QUATORZE.
Ele fechou a porta e eu ouvi o barulho de chuveiro, fui pra sala e voltei a deitar. Ele saiu do quarto com mais uma das malditas cuecas, usava uma blusa e um paletó. Saiu terminando de se vestir, cobrindo mais um pouco sua boxer, dessa vez, verde clara.
- Tudo bem, ja estou indo.
- Onde vai? - Perguntei tentando nao demostrar a curiosidade. 
- Trabalhar.
- Com?
- Sou empresario, da coca-cola. - Eu ri entre os dentes e parei de olhar pra ele. Ele colocou seus sapatos sociais e ficou de frente pra mim. Porra de roupa executiva que deixava ele com ar de homem serio, e mais gostoso que o normal. - Tchau. - Ele pegou sua mochila de notebook, e saiu. Continuei deitada. Peguei no sono e acordei com o toque do meu celular.
- Quem é? 
- Beth.
- Oi.
- Tava dormindo, sabia. - Riu alto. 
- Você me paga.
- O que cê ta fazendo?
- Nada, nem sei que horas são. A praga do Pierre veio pra cá.
- E?
- E vai passar um tempo aqui, veio a trabalhos. 
- Hm… - A campainha tocou.
- Vou abrir a porta, mais tarde te ligo pra me vingar. - Ri satânica enquanto abria a porta, olhei pro visor do celular, eram duas e meia da madrugada.
- Te acordei?
- Por pouco, não. - Ele tinha alguns fios suados e colados na testa, seu cabelo castanho claro estava molhadinho. Sua blusa um pouco transpirada, e sua gravata meio folgada. 
- Ainda bem. - Entrou, guardando sua mochila no quarto. E voltando pra sala, queria me desculpar por hoje cedo. - Ele fez uma careta engraçada, ao mesmo tempo sexy. Eu ri e mordi meu lábio inferior, e a merda foi feita, ele viu.
QUINZE.
Ele colocou a mão no meu pescoço me fazendo levantar, me imprensou na parede e tomou meus lábios sem delongas, resisti ate onde deu. Mas logo cedi dando passagem a sua língua. Ele se afastou me deixando com os lábios vermelhos.
- Eu sabia que você queria.
- Eu não queria nada. Você né homem, eu mulher… Foi só fogo. 
Ele riu, mostrando seus dentes brancos. Colou nossos rostos, e ficamos trocando aquele olhar, olhos, boca, olhos boca, olhos, boca, boca de novo. Eu não aguentei e puxei seu queixo pra mim, dei um selinho demorado e puxei ele pro corredor.
- Onde vamos?
- Onde você deveria ter me levado faz tempo. Ao orgasmo. - Ele riu e colou seu corpo no meu. Senti sua ereção e gemi baixo.
Abri a porta do banheiro. Desabotoei botão por botão de sua blusa, jogando a mesma em qualquer lugar, abri sua barguilha, tirando e jogando todas as suas roupas pelo chão do banheiro, ele abriu o ecler do meu moletom, me deixando com uma blusinha branca qualquer, que logo já não estava no meu campo de visão. Abaixou toda minha roupa de baixo de uma só vez. Puxei ele pelos cabelos, fazendo-o me beijar novamente, fui empurrando ele ate a banheira. Onde liguei a água que começou a subir rápido. Estávamos sem nenhuma roupa, e ele me beijava como se tivesse esperado por aqui durante anos, eu gostava do jeito bruto e ao mesmo tempo carinhoso e possessivo que ele me tocava. A água já cobria metade de nosso corpo, tentei encontrar o botão pra desligar e fiz a banheira parar de encher. Me encaixei no quadril dele, onde seu membro já ereto me chamava pulsante. Ele virou, me deixando por baixo, tocou minha intimidade e sorriu ao ver minha umidade, mordi seu lábio inferior e ele introduziu um de seus dedos, me masturbando devagar. 
- VAI PORRA! - ele riu e colocou mais um dedo, por ultimo o terceiro, gozei e ele sorriu satisfeito, fiquei por cima dele novamente, me ajoelhei deixando seu membro de frente pra mim. Peguei e ele gemeu em termo de aprovação, comecei a masturba-lo, comecei devagar e acelerei. Ele derramou seu primeiro liquido entre meus dedos. Ele me virou nomante. 
- Fica de quatro pra mim. - Sorri e assim o fiz. Ele não demorou pra encaixar em mim seu amiguinho. Seu abdômen batia em minha bunda, enquanto ele estocava forte. Assim durou por um tempinho, ate o meu primeiro liquido, e o dele também, ele continuou, acelerando as estocadas ate que eu cheguei ao meu clímax e meu corpo ficou mole, sei que aconteceu com ele também, porque ele parou e tirou o membro de mim, me puxando pra perto, me fazendo deitar ao lado dele. Me desfiz, ligando a ducha, ele levantou vindo tomar banho comigo. Esfregou minhas costas e ate ensaiou uma massagem. Eu me enrolei na toalha e fui pro quarto. Me vesti e deitei. 
- Posso dormir com você?
- Não. - Levantei e fechei a porta na cara dele.
DEZESSEIS.
Acordei com o sol em meu rosto, levantei e vi que ele estava fazendo panquecas. Ele tentou me beijar, mas virei o rosto.
- Oi, Annie, bom dia pra você também. - Peguei uma panqueca e mordisquei, estava boa. Comi três e bebi dois copos de suco, a noite me deixou faminta. 
- Vai trabalhar hoje?
- Vou, mas volto antes da noite.
- Hum. - Liguei o notebook, mandando pra editora tudo o que eu teria que fazer no escritório. Arrumei uma bolsinha e troquei de roupa, nem dei tchau pra ele, desci direito pra garagem, peguei a bicicleta e sai pra relaxar. Parei na loja do starbucks, comi uns docinhos e tomei um coffe. Voltei pro apartamento, tomei um banho e voltei a dormir. Beth me acordou com o barulhinho do skype. Atendi com cara de sono.
- Oi
- Te acordei de novo. Estranhei não ter me acordado ontem. - Ela sorriu safada e eu retribui. - Não é o que eu estou pensando, é? 
- Sim.
- Então, foi bom?
- Assim, eer… Um pou-c-… Foi. 
- Hmmmmmmm. 
- Mas ele não precisa saber.
- Você é cruel Annie Barret. - Sorri e ouvi batidas na porta, era ele. 
- Vou abrir.
- Sei bem o que vai abrir. - Gargalhou e desligou a chamada. Eu ri e fui abrir a porta. 
- Boo. 
- Ai que susto, estou chorando puz, olha só - fiz drama enquanto ele ria, ele fechou a porta atras da gente e guardou as comprar na cozinha. Abriu a jaqueta de couro e entrou no quarto, eu voltei pra sala, coloquei um cd do Guns N` Roses e me joguei no sofá, batendo as pernas e cantando as musicas. Ele voltou do quarto de boxer preta e com os cabelos ainda molhados, e sentou na poltrona, cantou comigo maioria das musicas. 
- Annie
- Oi.
- Fala a verdade sobre ontem, foi bom? - Ele mexeu no cabelo com medo da resposta. 
- Eu diria que foi normal.
- Normal? - Eu levantei do sofá indo em direção a poltrona. Sentei no colo dele.
- Sim. - Ele estava serio. Segurei seu rosto perto do meu, troquei minha respiração com a dele e mordisquei seus lábios. Ele me carregou ate o sofá e deitou em cima de mim e me beijou devagar, acelerei e ele relutou em ir devagar, mas eu toquei as posições, ficando em cima dele, roçando nossas intimidades, ele já estava dando sinal de vida, puxei a nuca dele ate perto do meu rosto, contornei a boca dele com minha língua e ele prendeu, o beijo ficou mais quente, me ajeitei no sofá, e abaixei a boxer dele, ele abaixou minha calcinha e me penetrou devagar, depois acelerou e chegamos juntos ao gozo. Eu levantei e fui pro meu quarto. Ele fez cara de desentendido. Eu estava agindo como uma louca, essa era a verdade.
DEZESSETE.
Meu telefone tocou naquela tarde sexta-feira.
- Annie, vamos sair! Hoje é sexta! - Berrou como uma crianca feliz.
- Vamos, que horas?
- Vai ter um showzinho de uma banda daqui, no groove, sete horas. Vou me arrumar e passo ai. 
- Tudo bem. - Levantei pra escolher minha roupa, peguei um shorts, uma blusa branca de mangas, que grudavam na minha pele e deixavam meu sutiã a mostra, e por ultimo uma jaqueta de couro. Tomei um banho, me vesti e ouvi a porta abrindo. 
- Annie, sua amiga ta aqui. - Berrou Pierre. 
- Annie, chamei Pierre pra ir com a gente, ele também curte rock. - Fuzilei ela com os olhos.
- Um minuto e eu me arrumo. 
- Fumou maconha? Quem te mandou convidar ele?
- Annie, aqueta o facho. Você já deu pra ele e tudo mais. - Cheguei a rir com o comentário. E ele voltou pra sala, usava uma calça jeans e uma camisa dos ramones.
- Hey ho!
- Lets go! - respondi e a gente desceu. Eu dirigi ate o pub. Estava cheio, mas não muito. 
Beth e Pierre conversavam sem parar, até que o ficante dela chegou.
- Amor! - pulou no colo dele dando um beijo desentupidor de pia. Ao lado dele tinha um outro cara, que veio cumprimentar a mim e Pierre, e logo depois sentou ao meu lado.
- Pierre, esse é o James, e esse é o Richard - apresentou Beth, eles se cumprimentaram com algumas palavras e logo James e Beth se comiam em público novamente.
Richard pediu licença e foi conversar com uma menina perto do palco. Eu e Pierre ficamos trocando olhares intensos, até que senti uma mão gelada em meu ombro. 
- Minha linda! 
- Cook! 
- Que saudade, pensei que não vinha mais aqui.
Ri. Ele pediu uma tequila, logo tequila. Bom, você sabe… Quando mulheres tomam tequila… o garçom trouce e eu bebi duas doses, já estava meio desligada da realidade. Então a banda começou a tocar, Pierre paquerava uma menina do outro lado do pub. Me subiu uma raiva não identificada. Agarrei Cook, quase arrancando sua boca.
- Annie - Me puxou Beth, fazendo Cook bufar pra ela. - Posso ficar no quarto de hospedes de seu ap? Não posso levar James pra minha casa com meus pais lá. - Assenti e voltei a beijar Cook. Paramos e eu bebi mais umas quatro doses de tequila, ficando completamente louca. E você sabe o que vem agora, o fogo lá embaixo. Cook me puxou pra uma viela atrás do pub. Me imprensou na parede começou a desabotoar a blusa, mas por mais que eu estivesse com fogo, eu não o queria, e isso era estranho. Nunca senti desprezo por Cook, ele era gato, gostoso e minha transa com ele foi uma das melhores que já tive.
- Para. Para Cook. - Empurrei ele, mas ele não parou, voltou a tentar tirar minha roupa, eu lutava contra sua vontade, até que Pierre abriu a enorme porta da viela, ele segurava na mão da mesma menina de cedo, ele soltou a mesma e puxou Cook. 
- Ela não quer! - Cook tentou socar Pierre, mas ele segurou seu braço, dando um simples empurrão, que o fez cair. Eu comecei a chorar descontrolada e apaguei. 
DEZOITO.
- Annie, Annie. - A luz me incomodou e eu serrei os olhos, Pierre estava em minha frente. - Chegamos. - Ele desceu do carro, abriu a porta e me pegou no colo. Travou o carro e ele me levou ainda carregada até o elevador. Onde eu desci de seu colo apenas me escorando em seu ombro, ele digitou o andar, e subimos. Entramos no banheiro juntos, ele tirou a roupa e eu também, ele me escorou até o chuveiro, ligou a água no quente e me ajudou a tomar banho. Terminamos ele me secou. Entrelaçando a toalha em meu corpo. Me levou até o quarto e me colocou na cama, pegou uma de minhas calças de moletom e um capote, me vestiu e me cobriu com a colcha. Ele tentou entrar no quarto em que estava, mas Beth e James estavam lá. Então ele foi até o closet do apartamento, pegou uma boxer e uma colcha, indo pra sala. Eu levantei e fechei a porta do quarto. Peguei no sono.
 Acordei com uma puta dor de cabeça. Passei a mão no rosto e levantei. Pierre estava na cozinha, fazendo ovos fritos. James e Beth não estavam mais ali. 
- Bom dia Annie. - Sorri de canto enquanto comia os ovos fritos. 
- Obrigada por ontem. - Ele riu e beijou minha bochecha. 
- Por nada. 
Terminei e lavei os pratos. Deitei no sofá, estava de porre por ontem. Fechei as cortinas deixando o lugar escuro e coloquei um filme. Ele sentou no lugar onde meus pés estavam, colocando-os em seu colo e massageando. Sorri de canto. 
- Pierre.
- Oi. - Eu levantei, me ajoelhando ao lado dele, logo depois passando um de meus joelhos por cada lado de seu corpo. Ele fechou os olhos em aprovação, beijei sua boca com força, como se fosse pela última vez. Ele me pegou no colo e me levou até o quarto de hospedes. Tentei tirar a camisa dele sem parar o beijo, rimos abafado quando percebemos que era impossível, paramos e a camisa dele voou para qualquer lugar no chão, ele abriu o zíper do meu moletom que foi parar junto com sua blusa no chão. 
- Eu quero você, Pierre. - Sussurrei rouca em seu ouvido, ele me colocou na cama e abriu o fecho do meu sutiã, eu abaixei a bermuda dele e sorri quando vi que ele não estava usando cueca. O membro dele já ereto rosou em minha intimidade, ainda por cima da calça de moletom, que ele logo tratou de tirar, me deixando completamente nua. Pierre foi distribuindo beijos do meu queixo, até a o final da minha barriga, passou a mão pela minha intimidade, começou a beijar e apertar minhas coxas, e olhou para o meu rosto enquanto eu mordia meu lábio inferior. Deu uma olhada por todo o meu corpo e sorriu, maliciosamente, como eu gosto desses sorrisos maliciosos. Abaixou a cabeça e logo estava entre as minhas pernas, com a sua língua dentro da minha amiguinha, fazendo com que eu enlouquecesse de vez, joguei a cabeça para trás e gemi alto. Quando já não estava aguentando mais, o puxei pelos cabelos para cima de mim e beijando-o, com força, quase que numa briga de línguas, sentindo o gosto do meu prazer enquanto ele bailava com sua língua dentro de minha boca. Ele desceu sua mão em direção à minha intimidade, senti seu indicador fazendo movimentos super rápidos, me levando a gozar em questão de segundos. Troquei de lugar com ele, ficando por cima, agora. Sorri maliciosa pra ele e passeei minha mão por seu tórax, fazendo-o o se arrepiar. Peguei seu grande, membro com as mãos e comecei a masturba-lo, intercalando os movimentos, rápidos e devagar, parei quando ele estava quase gozando, e olhei pra ele novamente, abocanhei-o. Colocava até onde cabia em minha boca e tirava, enquanto massageava suas bolas, e então ele gozou. Ele me puxou pelos cabelos, fazendo nossas bocas se encontrarem, em um ato desesperado. Me encaixei em cima dele e comecei a rebolar nele, quando estava quase gozando ele parou, trocou as posições e ficou por cima de mim, colocando e tirando.
- Vai, PORRA! - gritei. Ele riu e continuou 
- Fala o que você quer Annie! - Sussurrou rouco em meu ouvido
- QUERO, quero que v..ocê me f…oda! - Minha voz saiu travada. - Me foda! - Falei com convicção. Ele aumentou nas investidas, eu quase sentia seu amiguinho no meu útero. Gozei uma, duas, três, quatro… 
- Goza pra mim, goza, minha putinha. - Ele me puxou pelos cabelos dando sua ultima estocada, meu último gozo do momento. Foi a melhor da minha vida. Mas ele não precisava saber disso, também. Conciliei nossas respirações e senti minhas pernas firmes o suficiente pra ficar de pé, mas ele me puxou pra perto, com muito esforço me desfiz e levantei da cama, ele estava aparentemente confuso. Me olhou com um olhar meio que triste e sentou na cama, eu sai do quarto e fui pro meu, deitei sem roupa mesmo. 
DEZENOVE.
Acordei com o toque do celular. 
- Alô?
- Oi. 
- Sou eu Annie, tô indo ai.
- Ok. - Levantei enrolada com o cobertor, peguei uma muda roupa e fui pro banheiro. Tomei um banho e me vesti, rapidinho. Ouvi meu estômago reclamar de fome. Fui pra cozinha e dei de cara com um Pierre estressado. Peguei as batatas fritas e coloquei na maquininha pra fritar, Beth chegou. Fui abrir a porta.
- Oi. - Disse enquanto corria de volta pra cozinha, tirei as batatinhas e coloquei pra escorrer. Pierre e Beth se cumprimentaram e o mesmo foi pro quarto.
- O que você fez com o gato? Ele está tão pra baixo. - Eu ri e encarei-a.
- É a terceira vez que transamos e eu saio sem mais nem menos. E essa, foi a melhor da minha vida. - Sussurrei 
- Você não está mesmo disposta a tratá-lo melhor? 
- Não. - Coloquei as batatas na vasilha oferendo. Comemos enquanto conversávamos sobre a noite.
- Vou indo, amanhã é domingo, venho passar o dia com você. 
- Ok. - Dei um último abraço nela e fui arrumar a casa, coloquei um cd qualquer sem nem ler o nome. Era Nirvana. Coloquei as roupas na máquina e depois na área de serviço, pra secar. 
Pierre estava no chuveiro, eu estava suada, e bom, ele era completamente viciante. Tirei a roupa e entrei lá, ele me olhou estranho, parecia está mesmo triste. 
- Oi. 
- Saia daqui, por favor. - Eu segurei seus ombros e ele fechou os olhos.
- I want you, i want you so bad - Passei a mão em seu rosto molhado, e apertei suas bochechas, fiquei na ponta dos pés e beijei sua boca, ele tirou minhas mãos dali e começou a retribuir o beijo. Me separei de novo. - I want you, i want you so bad
- It’s driving me mad, it’s driving me mad. - Ele completou me puxando por completa pra baixo d’água. 
VINTE.
Acabamos, eu me sequei e sai, mais uma vez ele ficou parado me esperando pra deitar com ele. 
Fui pra sala ver um filme qualquer, ele nem saiu mais do quarto. Dormi no sofá e acordei com alguns raios de sol no meu rosto. Liguei o computador pra adiantar umas coisas pro trabalho, agendei umas entrevistas e pedi pizza. 
Meu celular tocou.
- Oi. 
- Sou eu, tô chegando ai. 
- Ok. - As pizzas chegaram, abri a porta pra pegar, coloquei no balcão da cozinha e paguei ao entregador, deixando o troco com o mesmo. 
Nem precisei fechar a porta, Beth vinha de mãos dadas com James. Cumprimentei os dois e entramos. 
- Pedi pizza, vou só colocar refrigerante e trago tudo pra gente comer. Perem só. - Fui pra cozinha, cortando as pizzas em fatias, empilhei os copos e equilibrei até a sala. Depois trouxe o refrigerante e fui ao quarto chamar o Pierre. 
- Ei, vamos comer.
- Não quero, tô com dor de cabeça. 
- Por favor. Vem. - Ele continuou de cara feia, eu abri a porta por completa e segurei seu rosto, dei um beijo quente e me separei. - Vem. - Puxei ele pelo braço e ele riu. 
- Oi gente! - Ele cumprimentou o pessoal. Depois de um tempo, e de comer, estava conversando sobre negócios com o James. Eu e Beth fomos pra cozinha. 
- Amiga, ele ta chateado com você? 
- Não sei. Acho que sim, mas eu não me importo.
VINTE E UM.
O pessoal resolveu ir embora, porque já estavam quase se comendo ali mesmo. Eu e Pierre demos boas gargalhadas. Mas depois ele ficou sério pra mim de novo.
- Pierre. Não me leve a mal.  Ele franziu o senho pra mim e riu em certo tom de irônia.
- Eu tô cheio, entende? Cheio de tentar ser o melhor pra você, te fazer bem e você nem ai, é, eu errei, mas passou, passou. Eu mudei, me tornei homem, nunca esqueci aquela menina doce que eu namorava. Eu senti sua falta. Mas você mudou, mudou muito. E eu odeio, odeio quando você diz “oi” como se nada tivesse ocorrido, ideio quando você levanta depois do sexo sem dizer nada, ou solta suas risadas irônicas nas horas erradas. Eu te amo, entende? E é por isso que vou embora agora. - Ele soltou uma lágrima e olhou pro teto. - Eu sou um veado mesmo. 
 Fiz sinal pra ele se calar, fiquei na ponta dos pés e toquei seus lábios, ele tentou me afastar, mas puxei de volta e passei o polegar por seu rosto. Sorri e dei um selinho demorado. Apertei sua nuca contra mim, beijei-o devagar. Ele fez uma cara se surpreso e puxei seu braço até meu quarto. 
VINTE E DOIS.
Ele relutou, tranquei a porta do quarto e empurrei-o na cama. O mais difícil era beijar devagar, eu tinha desaprendido como era essa coisa de carinho. Mas tentei, selei nossos lábios devagar, e com cuidado, ele percebeu o que eu queria e me ajudou, fazendo um carinho gostoso na minha nuca e massageando meu cabelo. Passei minha mão esquerda por seu cabelo sedoso. Desabotoei sua camisa e descei sua calça, nossos beijos não foram acelerados, mantemos o mesmo ritmo lento e carinhoso. Ele abaixou a alcinha da minha blusa e beijou meus ombros, depois pescoço, voltei a puxar seu rosto pra mim, onde depositei mais um beijo demorado. Desci o resto da minha roupa e me livrei da boxer dele. Ele se posicionou entre minhas pernas, me penetrando com cuidado. Sorri e puxei sua nuca mais pra mim, selando nossos lábios com carinho. Chegamos ao orgasmo, fácil. Deitei no peitoral másculo dele e fiz carinho nos pelos dali. 
- Você foi o primeiro.
- Em que?
- O primeiro cara que transa comigo na minha cama.  Ele riu e depositou um beijo na minha testa. - E sabe, você me deu a melhor transa da minha vida anti-ontem, e hoje a mais carinhosa.  Fez uma cara de espanto e me puxou pra cima dele, dei um dos beijos mais calmos da minha vida.
- Annie Barret, você é louca, completamente louca. 
- Louca por você.  Ele fez uma cara ainda mais espantada e me beijou, de novo. 
- Eu amo você.  Sorri de canto e abracei ele de lado. 
- Eu quero que fique. 
- Eu tenho muito trabalho a fazer, mas eu volto assim que der.  Fiz bico, ele apertou minhas bochechas e me deu um selinho demorado.